sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

POR UM QUASE

Essa é uma história pra quem gosta de intimidade com o dinheiro...

Diz que o cara vinha, desde quando se entendeu por gente, jogando na loto. Jogava... jogava... jogava... E nada de acertar os tais dos números. Resolveu pedir sugestão. Mas logo abandonou a ideia quando percebeu que ia ter de dividir o dinheiro, porque quem ia ganhar não ia ser ele sozinho. Afinal, assistia ao noticiário e sabia como aquelas coisas acabavam. E briga por dinheiro era que nem briga de trânsito, acabava mal para um dos lados. No caso, sempre o mais fraco. E ele não era bom de briga. Nem de trânsito. Sabia que ia sobrar pra quem não tinha conhecimento!

Decidiu então mudar o volante do jogo. De um jogo passou para outro. Quem sabe aí a sorte não mostrava sua cara. Mas ela continuou bem mascarada, bem entocada. Parecia aquele diabo de rato que morava de favor em sua casa. Não saía nem a pau! Não havia moleque arteiro que botasse Mickey Mouse - era assim que ele chamava o danado... que lhe perdoasse a Disney - pra correr! Nem na pedra, nem na ratoeira, nem na vigília, nem nada, nada nem. Não adiantava trocar estratégia que o danadorato não deixava as fuças à mostra. Era que nem a tal sorte, se é
que ela existia.

Aí ele teve uma sacada: resolveu apostar na sorte dos outros. Quem sabe assim, não espiava a sorte, nem que fosse um tantinho assim ó... (bom, mas esquece, que os leitores e as leitoras nem podem enxergar o tantinho que era... nem com óculos de grau!). Resolveu, pois apostar no bolão. A sorte dos outros ia seduzir a dele.

Rapaz... não é que ele passou perto. Quase ganhou na loto. Já pensou? Ia sobrar dinheiro até pra distribuir para leitores e leitoras. Mas o fato foi um só: apostou no bolão com dindin emprestado. E dinheiro emprestado, significava sorte emprestada. E mais: prêmio repartido. E se o sujeito que emprestou, seu vizinho de bairro, fosse ter com ele na hora do prêmio? Sabe que essas coisas sempre funcionam assim... Sujeito ia dizer que os juros correram mais que ele de Marinalda, da venda, por causa da dívida crescida. E aí já viu! Ia querer tomar dele inclusive as cuecas. Senão...

Resolveu torcer contra.

E não é que funcionou? Não ganhou por um quase! E depois dizem que um QUASE não é importante na língua portuguesa! Por causa do quase, não teve dor de cabeça. E parou de jogar. Vai que um dia ganha... Aí quantos interessados vão aparecer? MUITOS! Não estava mais afim de aturar nem gente de olho grande, nem os intensificadores da língua (se é que suas aulas de gramática serviram ao menos pra classificar os termos de modo correto...).

Por via das dúvidas, resolveu então terminar a história. Sair do quase e ir ao ponto final.

2 comentários:

  1. Tiquinho... adorei esta história! Vim hoje pela primeira vez e já vi que vou ficar viciada... risos.
    Um beijo

    Kátia [Aguiar]

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  2. Rpz....esse texto me lembrou um irmão(que tive), ele jogava toda semana, já tinha até planos de como torrar a grana,mas o Cara lá de cima já tinha outros planos pra ele!bjs,Nessa.

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