domingo, 24 de janeiro de 2010

DE MÃOS DADAS COM EMÍLIA, um anjo de candura

E eis que volto a me sentar diante da tela novamente, caro Lobato. Como o senhor não respondeu a minha provocação, faço outra, porque já estou me acostumando com as mãos de Emília. E tenho que te contar os últimos detalhes... Ela está ainda mais provocativa! Mas é uma provocação cativante... Uma provocação que nos aproxima ainda mais. É uma provocação que me alimenta, meu caro!

Pois bem... Sabe qual foi a última dela? Disse ser um anjo de candura. Quase proclamou. Um anjo que gosta de riscar um pouco de fogo de quando em vez. Gosta sim, mas isso é o que me faz chegar ainda mais perto dela. Ela já está começando a perceber e acho que faz isso só... É sim, Lobato! Emílias são cheias de artes! O fogo não é sinal de afastamento, antes pelo contrário, é fagulha para esquentar ainda mais nossos momentos.

Esse fogo, no entanto, às vezes queima, meu caro Lobato. Como brinco com os dizeres (pelo menos no papel) e brinco também de bulir com a paciência dela, então não acredita que cultivo um bom sentimento... Pensa que, tal como as histórias do Sítio, tudo vem da ficção, tudo é parte de uma imaginação... Que talvez eu esteja fantasiando uma Emília que ela não é. Entende, Lobato? Talvez ela imagine que se trate da sua! Brincadeirinha, grande mestre! Brincadeirinha...

Mas o que estou nutrindo por ela não tem nada de brincadeira... Confiança já tenho de sobra. E tenho aprendido muito com a sinceridade dela. Sinceridade que acende uma faísca de admiração. Tenho certeza que vai crescer ainda mais. Ela se engana pensando que minhas mãos vão se afastar das dela (conto isso cá pra você, Lobato, mas já disse a ela, embora ela ria como que duvidando...). As mãos estão cada vez mais apertadas. Estamos atados, sabe como é? E claro que não é bom ficar sempre de mãos dadas, porque as mãos começam a suar. E aí temos um movimento repentino de afastá-las. Mas esse afastamento é necessário, Lobato. Afinal, sei que você não vive inteiramente para os seus personagens! E olhe que no meu caso, a minha Emília é bem real! Mas afastando as mãos temporariamente, acendemos a saudade. E com isso, as mãos voltam a se procurar delicadamente. Nada de afobação! Nessa hora, é melhor um pouco de tranquilidade para a saudade ir se esvaindo... (Mas te confesso que minhas mãos, às vezes, perdem a compostura...).

Pois Emília tem me tirado de rotina, Lobato! Ela tem me feito olhar para mim. Sim, eu sempre gostei muito de variar os passos... Caminhar nas mesmas bandas nunca foi bom! E você também foi assim. Sempre polemizando... Sempre criando histórias dentro de outras... Pois se Emília foi criação sua, não poderia ser tão previsível. Mas não se iluda, a minha também varia seus passos. É por isso que me encontro com ela. E não falo de esbarros, coisas causuais, estou falando em sintonia... Sim, sintonia mesmo! A sintonia é tão forte que por mais que queiramos largar as mãos de vez, elas (as mãos) se aproximam por uma ligação imanente. Coisa que já tentei explicar em parágrafo anterior, mas que curto mesmo é sentir. E minha Emília também, sinto isso quando deixo as mãos dela repousarem nas minhas.

Vou, então, ficando por aqui. Estou sozinho, mas sei que amanhã reencontro minha Emília. Sim, porque podemos nos distanciar, mas as mãos estão sempre dadas. Dadas, porque estamos cada vez mais próximos um do outro e não há distância física que nos faça desligar, por mais que repitamos isso por impulso. Desligar mesmo, só a luz e o computador.

E aguarde... continuo mandando notícias. Espere pra ver.

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