quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

BAILANDO COM LOYOLA

Estávamos passeando nos estandes e o som das palmas ecoou nos convocando para um baile. O baile das palavras ocorria no Ginásio Multidisciplinar da Unicamp. Baile que partia de um maestro: Inácio Loyola Brandão. Dia inesquecível do 17º Congresso de Leitura. Dia em que o som das palavras alimentou um Ginásio inteiro e duas pessoas (que nem pretensão tinham de saborear a fala do tal maestro) e assistiram a tudo, atônitos e de pé. Éramos nós.


Momento ímpar em que aprendemos a dançar um outro ritmo. Um ritmo de uma das escolas de Terezina, no Piauí… uma escola de um bairro pobre, bem pobre (da periferia, da periferia, da periferia, como cantou Loyola), mas rico (com cédulas de palavras!) de histórias! Rico de leituras.

Bailamos em meio a esses estudantes dessa escola e ouvimos suas experiências leitoras, apesar de todas as drogas no caminho… os estudantes liam. Liam para sobreviver em meio a alternativas vacilantes. E liam para contar aos colegas. Liam para oferecer-lhes palavras. Liam para saciar a sede de Literatura que devia alimentá-los.

E tudo começou não num reino distante das páginas de livros de contos de fadas. Tudo começou ali, em Terezina, com a disposição de alguns professores, que acharam que aula de leitura era também aula e não enrolação. E começaram com leituras. Depois os estudantes começaram a ler para contar. E daí, as aprendizagens foram acontecendo... um pouco como aconteceu com nós dois, que parados diante do maestro, ouvíamos as histórias de Loyola e aprendíamos a como dizer o mesmo de modo diferente e simples.

Como aprendemos a dançar com essas palavras do dia 22 de julho! Ganhamos fôlego para seguir no COLE. E seguindo, bailamos com uma senhora que surgiu diante do maestro e o convidou. Convidou para dançar. Uma dança suave como o movimento das folhas da paisagem campinense… e ele se rendeu e se surpreendeu: apesar de muito íntimo das palavras, não pôde lê-las, apenas senti-las, quando pousaram nos lábios da senhora que as deixou passear pelos seus ouvidos:

- Muito obrigada, senhor, por bailar comigo essa manhã!

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