quinta-feira, 15 de abril de 2010

CONTRATEMPO

Passa tempo!
Temos tempo
pra o bom tempo?
Tem tempo...
Contratempo?
O tempo passa
E cura tudo...
Se entregue
ao passatempo
e terás tempo
pra temperar
a vida a tempo.
Tempestade?
pura temporada...
Contra o tempo
há remédio.
Tempere as horas,
temporize...
Invente e crie
sua temporalidade.
O tempo passa...
A temperatura é alta
temporize...
Faça seu tempo
e o contratempo
passa...

Resposta ao texto de Joselito, intitulado "Perda de tempo", postado no blog "Tecendo Fios com Jô".

quarta-feira, 14 de abril de 2010

DE COMO ME ENCONTREI COM O RISO

O que significa aquele riso estampado nas faces das meninas do Sitio de Mary? Sim, porque naquela sala-Sítio existe algum mistério... Nem as palavras das meninas ajudam a satisfazer a curiosidade que cutuca cada vez mais. Causos são contados? Soube que sim. Soube que os causos nem são controlados pelo grande relógio, tal como aquele que apressa o coelho da história de Alice. Soube que os causos simplesmente brotam... dos jardins cultivados com muito afinco pela plantadeira de sementes do riso, Mary Arapiraca. Com sua cesta de palavras que atiçam as meninas, cada vez mais, ela encanta e também provoca “coceiras” – não no sentido de incômodo, mas no sentido de alimento para a criatividade – e essas coceiras é que movimentam as palavras, tiram-nas do sofá. Pois não é que essa coceira me alcançou? E olhe que nem sei o que guarda aquela sala-Sítio... O que sei foi o que soube... Soube que ali seriedade e riso andam de mãos dadas como duas crianças brincando. Sim, ser sério não é ser sisudo, manter a “cara fechada”. Ser sério é tratar de coisas que são deixadas de castigo pelo currículo, mas que merecem estar na primeira fila, ou seria melhor dizer na roda? Olha, na verdade, verdade mesmo, nem sei dizer como esse riso está visitando a sala-Sítio... o que sei é que ele está por lá, pulando de colo em colo (das meninas e da grande mestra) porque estou sentindo-o nos olhos brilhantes das contadoras, que se revezam, mas não secam a fonte da alegria. O que sei é que o riso está me contagiando de tal modo que começo a redigir esse texto com muita coceira (parece até que derramaram pó-de-mico). A curiosidade já está comendo pelo centro (e não pelas beiradas)… o desejo de saber o que tem na sala-Sítio já mostra o quanto Meiremília tem muita amizade com os encantamentos... E é (foi) por isso que vou me deixar encantar... Feitiço com riso não deve dar em coisa ruim. O pó de pirlimpimpim vai me transportar para o mundo mágico daquela sala-Sítio. E acho que a coceira só vai se multiplicar. Eita coceirinha boa…

Texto elaborado antes de participar da primeira aula da disciplina O Riso no Currículo, ministrada, às quintas-feiras, pela professora Mary Arapiraca (FACED/UFBA) e assistida pelas suas cúmplices Luciene, Ana Paula e Auxiliadora, orientandas que trataram de me atrair para o "Sítio", mesmo que de passagem...

domingo, 11 de abril de 2010

JULIO E AS MOSCAS

Diz que o sujeito foi trabalhar no interior e logo que chegou na pousada foi recepcionado pelas clientes preferenciais. Nada de empregados em quantidade, mesmo porque negócio que se preze hoje carece de empregados, mas não de trabalho. E ali não era diferente. Em grande metrópole ou em cidade do interior (se é que é possível dizer que aquela era uma cidade do interior), a regra era a mesma: quanto mais o trabalhador conseguia acumular funções, mais era competente Então, o sujeito aprendia de tudo um pouco para agradar o patrão. Dar dor de cabeça ao chefe não era um bom sinal. Afinal, a fila andava rapidinho!

Pois a dor de cabeça do sujeito foi outra: as moscas. Em vez de recepcionado por elas, seria melhor dizer que foi espantado! Quem pensa que elas se curvaram diante dele, se enganou e muito! Elas já foram marcando território. E sabe qual era o jeito de fazerem isso? Nada de urinar, como faziam os cães. Não! As moscas voavam pelo espaço afora. Se a comida era servida, elas já estavam lá beliscando. Se a porta do quarto era aberta, elas já estavam pela cama, pela pia, pelos cantos com toda sua família. O cara tinha de conviver com todas, e nem tinha casado com uma mosquinha que fosse! E olha que a família era mais numerosa que de qualquer leitor ou leitora.

Foi aí que Julio (o tal sujeito) percebeu que já tinha perdido o terreno antes mesmo do jogo começar. Quem podia com as moscas? Nem mesmo o truque de colocar sacos plásticos cheios de água na parte superior das portas não funcionava. Aquele truque era velho! As moscas eram contemporâneas, aprendiam rápido, tal qual as crianças diante dos computadores. Adaptavam-se a tudo. Se bobear ainda piscavam o olho e diziam:

- Ô, brother! Essa aí não engana nem mosca morta, quanto mais nós que temos olhos nas costas!

E Julio viu que ou dividia o espaço com elas ou então iria realmente comer mosca. Com muito sacrifício decidiu dividir o espaço. Como eram muitas, teve de comer o resto da comida delas, teve de dormir protegido da nuvem que faziam, teve de tomar banho no quintal da pousada, pois elas ainda estavam zumbindo pelo banheiro...

Não resistiu. Foi ter com o único empregado da pousada para exigir uma atitude. E o pobre do empregado foi com uma daquelas inseticidas buscando resolver o problema de vez. É, mas parece que as moscas se fortaleciam com aquelas esguichadas venenosas.

- Oxe, veneno? Pra nós isso é um energético, cara! Isso deixa a gente agitada! Dá um gás danado!

- Tá! Eu desisto! Se não posso com elas, me junto a elas!

E foi assim que Julio foi dominado pelas moscas. Com o tempo, diz que até historinha ele contava para elas dormirem. As más línguas dizem que o sujeito virou mesmo foi cão de guarda. Protegia as moscas de outros hóspedes. Sobrou até para o empregado e para o dono da pousada. Contam que, em poucos dias, elas viram empresárias... já pensaram?

Em homenagem a um recente grande amigo Júlio Cezar.