sexta-feira, 10 de junho de 2011

CRONICANDO...

Tomei amor por isso: cronicar. Já tinham ouvido falar desse verbo? Pois ele invadiu meu espaço de um jeito, foi se acomodando e me surpreendeu. Foi sentando no meu sofá e ligando meus neurônios pra ver o que acontecia. E não é que fui tomando gosto por aquele verbo folgado? Aos poucos ele foi me mostrando suas qualidades: facilidade de adaptação (qualquer lugar é lugar: desde antologias a jornais), sem qualquer frescura para comer (se alimenta de todos os níveis de linguagem), objetividade aguçada (sem rodeios: fala em poucas palavras). Mas tem um defeito incontrolável: adora a vida dos outros. A rotina não lhe atrapalha; o cotidiano rende uma porção enorme! O fato é que fui andando com ele sem parar. E quando me dei conta, já estava namorando o cronicar. Mas esse verbo não se apega a ninguém: depois que conquista, a gente é que fica atrás. E aí já era. Tive que conviver com a minha paixão! E o verbo continua atacando por aí. Onde vou, flagro alguém andando com ele!

RECEITA DE EMÍLIA

E estou novamente na tela do computador. Confesso a você, caro Lobato, que quase desisti de escrever esses textos íntimos (nem tanto assim...). Primeiro, porque a moda agora é usar o twitter. E por lá, não há precisão de dizer muito. Basta dizer. As palavras caminham dia após dia. Entram e saem sem pedir licença. E assim, com elas (as palavras), daria mais notícias ao senhor, Lobato, de como ando nas mãos de Emília. Segundo, porque ''tudo que você disser pode ser usado contra você no tribunal'', já ouviu essa?

Bom, mas a vantagem de se usar a literatura para dizer é que não precisamos usar a palavra sem tempero. Senão não teria sabor diferente. Há dias que temperamos melhor as palavras e há dias que a rotina faz a receita desandar. Mas deixemos os petiscos de lado não é mesmo? Vamos, pois, ao que interessa, caro Lobato!

Como dizia, ando nas mãos de Emília… Mas é um estar nas mãos que estou curtindo muito! Já avisei a ela que estou mal acostumado. Agora, minhas mãos não conseguem nem se afastar das dela. Por quê? Pois elas (dessa vez são as duas Emília a que me refiro!) sabem como usar as pílulas para apimentar o gosto (pensem no complemento que quiserem…). Estar nas mãos é gostoso, amigo Lobato! (Acho que já posso lhe tratar assim…). Ela sabe me saciar na hora que tenho “fome canina” (uma homenagem a um colega), sabe adoçar as palavras (e apimentar também!) para que eu me sinta melhor, sabe como lançar mão de uma pitada de alegria para deliciar meu dia, sabe engolir até o orgulho (quando nem é preciso) para evitar azedar nossa receita… Não tenho porque enjoar! A dosagem é boa: nem salga nem adoça demais. Tenho nela (a minha Emília, é claro!) a quituteira que sempre sonhei.

Então te pergunto (desculpe a informalidade que me toma por completo): como não desejar estar nas mãos de Emília com uma receita dessas? Bom, mas chega de insistir nesse aroma, porque assim a Emília sua pode querer tomar umas aulas com a do meu enredo.

Continuo eu com a minha Emília, porque já é hora da sobremesa! E aguarde as próximas receitas, porque ela não gosta de temperar sempre do mesmo modo…